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Se isso não vale uma medalha olímpica, sinceramente, nada mais vale

  • Foto do escritor: Gabriela P. Bonomi Z.
    Gabriela P. Bonomi Z.
  • 9 de mai.
  • 2 min de leitura

Tenho dois filhos meninos: um de três anos e meio, outro de um ano e meio. Traduzindo: dois mini queridos em plena montanha-russa emocional disputando território por toda a nossa casa.


O dia começou com o drama do uniforme do Porto. Três dias seguidos de uso pelo mais crescido, mandei pra máquina achando que estava fazendo uma benfeitoria ao meu filho e aos amiguinhos da classe do Monsieur Jerôme. Ofereci, no lugar, o uniforme do Palmeiras que ele ganhou do avô. Claro que o pequenote entendeu como uma traição tipo tragédia shakespeariana. Choro digno da final 7x1 entre Alemanha e Brasil na Copa do Mundo de 2014.


A salvação parecia estar em uma segunda rodada de pequeno-almoço para controlar os nervos: pão com manteiga para um, bolachinha de leite para o outro. Entra então a Margarida, nossa poodle standard com vocação para ladra de padaria. Roubou o pão de um, a bolachinha do outro e, pronto, choro coletivo. Eu quase me juntei ao coro.


A cena do colo foi ainda melhor: um pede, o outro vê e também pede. Os dois choram porque não existe “colo exclusivo”. Enquanto isso, eu me pergunto se já inventaram a clonagem materna e esqueceram de me avisar.


E então vieram os detalhes que transformam qualquer lar cheio de amor em campo de guerra: a banana que foi servida em pedaços e não inteira; a água no copo amarelo quando só o rosa teria o poder de evitar o apocalipse.


Bom, quando finalmente achei que estávamos prontos para sair de casa rumo à escola, o gran finale: a bicicleta. O pequeno decidiu que queria andar na bicicleta gigante do irmão. O irmão, obviamente, também queria. Resultado: nem um, nem outro, só os dois no chão do corredor do prédio, chorando como se eu tivesse desaparecido.


No meio disso tudo, consegui bebericar um café com leite. Frio. Esquecido na bancada da cozinha. Glamour nenhum, sobrevivência máxima.


E cá estou, sentada no trabalho, um pouco descabelada e com uma estranha sensação de vitória. Porque sobreviver a cinco birras e um café antes das 8h da manhã deveria dar direito a medalha olímpica - além de criar caráter. 


Beijinhos, 


G.


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